DECLARAÇÃO DO CLQI SOBRE O CASO ‘CHARLIE HEBDO’

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14/01/2015 by socialistfight

O estado da Califórnia quer afirmar na lei que a
liberdade de expressão é um privilégio, não um direito.
Se formos comparar o caso de Brandon Duncan e Charlie Hebdo
“hipocrisia” é a única frase que vem à mente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Islamofobia é o racismo ‘de jour’*

10/1/15

English version – Socialist Fight

O Comitê de Ligação pela IV Internacional (CLQI) afirma que a raiz da causa dos assassinatos no escritório do Charlie Hebdo em Paris, no dia 7 de janeiro, está nas guerras imperialistas em terras muçulmanas – Afeganistão, Iraque, Líbia, Mali, Síria, etc. Os marxistas nunca devem igualar a violência do opressor com a dos oprimidos, não fazemos julgamentos morais sobre as pessoas que realizaram esses ataques e reconhecemos as mortes causadas pelo imperialismo nessas terras executando milhares de vítimas, senão milhões.

Em 12 de maio de 1996, em resposta à pergunta de Lesley Stahl, “Sabemos que meio milhão de crianças morreram no Iraque, ou seja, isso supera o número de crianças que morreram em Hiroshima; você acha que valeu a pena?”. Madeleine Albright, então embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, respondeu: “Sim, nós achamos que valeu a pena”.

Nós não temos o direito de impor aos militantes que representam os oprimidos como eles devem conduzir suas lutas; nem ao IRA nem aos palestinos, nem àqueles que lutam hoje contra o imperialismo no Oriente Médio. Mas, como marxistas, nos opomos a métodos de terror individual por motivos políticos, posto que jamais conseguirão atingir seus objetivos em derrotar o imperialismo por tais métodos; na verdade, acabam fazendo o oposto: reforçam as garras do Estado contra si mesmos e alienam seus únicos e verdadeiros aliados potenciais, a classe operária francesa e internacional, como discutiremos a seguir.

Como disse Trotsky:

“Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão. Os profetas anarquistas da ‘propaganda pelos fatos’ podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais ‘efetivos’ forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles, mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se. Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.” [1]

Ken Livingstone afirmou: “A mensagem da caricatura é clara: os irlandeses, como raça e comunidade, são assassinos, bandidos e estúpidos… Eu não acredito na liberdade de expressão para os racistas… Nós não vamos dar um único centavo para o Standart enquanto eles continuarem a difamar o povo irlandês”.

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A HIPOCRISIA GROSSEIRA

O grande clamor do imperialismo neste momento é a “liberdade de expressão”. Não é permitido gritar “fogo” em um teatro lotado porque aparentemente todos estão sob a responsabilidade da liberdade de expressão; esta liberdade é limitada devido às responsabilidades sociais. Do mesmo modo, não se deve gritar ‘parasita’ para um grupo minoritário que sofre desproporcionalmente com o desemprego, pois isso causaria uma debandada social e alguém poderia ser espancando.

O WSWS comentou em 9 de janeiro:

“No uso de caricaturas grosseiras e vulgares que fornecem uma imagem sinistra e estereotipada dos muçulmanos, Charlie Hebdo recorda as publicações racistas baratas que desempenharam um papel expressivo incentivando a agitação antissemita que varreu a França durante o famoso Caso Dreyfus, ocorrido em 1894, depois que um oficial judeu foi falsamente acusado e condenado por espionagem a favor da Alemanha. Sob o chicote do ódio popular contra os judeus, La Libre Parole [“Liberdade de Expressão”], publicado pelo infame Edoard Adolfe Drumont, fez uso de modo altamente eficaz de caricaturas que empregavam os conhecidos instrumentos antissemitas. As caricaturas serviram para inflamar a opinião pública, incitando a turba contra Dreyfus e seus defensores – como Emile Zola, o grande romancista e autor de J’Accuse”. [2]

A liberdade de expressão não é algo abstrato, de livre flutuação, mas deve ser empregado em conjunto com, e devidamente situado entre, o contexto social, histórico e político. Naquele grande bastião da “liberdade de expressão”, Califórnia, de longe o Estado ‘liberal’ mais rico da união, um artista de rap, Brandon Duncan, também conhecido como Tiny Doo, sem antecedentes criminais, enfrenta a vida na prisão pelas letras de seu álbum. E aqui está a complexa “lógica” por trás da acusação:

“Nós não estamos falando apenas de um CD, de canções de amor. Estamos falando de um CD (capa)… onde há um revólver com balas”, disse o Vice-Procurador Distrital Anthony Campagna, justificando a acusação inconstitucional do músico. Duncan é acusado de “conspiração ganguista” porque sua “gang adquiriu status” ao fazer letras a favor do crime, e isso – argumentam os promotores – permitiu-lhe “vender mais álbuns“. [3]

O estado da Califórnia pretende afirmar na lei que a liberdade de expressão é um privilégio, e não um direito. Aparentemente, os promotores acreditam que escrever letras sobre crime é em si um crime – e punível com pena de prisão perpétua. Se formos comparar o caso de Brandon Duncan e Charlie Hebdo a “hipocrisia grosseira” é a única frase que vem à mente.

Ah, mas a ‘liberdade de expressão’ de Charlie Hebdo ataca a classe dominante cristã, judaica, etc. e isso não pode ser utilizado como justificativa para o assassinato em massa. Então agora qualquer um poderá defender o racismo contra os irlandeses por se tratar apenas de um pouco de diversão sem entender a justificativa dos assassinatos do exército britânico na Irlanda? E as charges antissemitas de 1920 e 1930; também foram apenas um pouco de diversão e não uma elaboração ideológica para o Holocausto?

LIBERDADE DE EXPRESSÃO E RACISMO

Charlie Hebdo é uma revista libertária de direita que promovia o racismo, a islamofobia, o sexismo e a homofobia. Quaisquer que sejam as origens desses jornalistas no esquerdismo de 1968, após o ataque de 11 de setembro de 2001 eles se tornaram cada vez mais porta-vozes do imperialismo francês.

No auge da guerra na Irlanda, piadas anti-irlandesas e caricaturas racistas encontravam-se por toda parte. O Evening Standard publicou um chamado ‘The Irish’, por JAK, em 29 de Outubro de 1982, e Ken Livingstone retirou toda a publicidade deles do Conselho da Grande Londres (GLC, nas siglas em inglês).

O cartaz era caracterizado por figuras grotescas que empunhavam uma variedade de armas terríveis e era parte de uma série mais ampla de imagens e escritos que apareceram no Reino Unido por mais de 100 anos, retratando os irlandeses como simiescos, estúpidos, violentos, etc.

A caricatura levou a protestos por parte da comunidade irlandesa britânica e resultou na proibição da publicidade (no valor de cerca de £ 100.000 por ano) do Evening Standard por parte da GLC, liderado por Ken Livingstone.

Ken Livingstone afirmou:

“A mensagem da caricatura é clara: os irlandeses, como raça e comunidade, são assassinos, bandidos e estúpidos… Eu não acredito na liberdade de expressão para os racistas… Nós não vamos dar um único centavo para o Standart enquanto eles continuarem a difamar o povo irlandês”.

O objetivo dos ataques era retratar os irlandeses como selvagens sub-humanos e assim tornar aceitável a matança deles pelo exército britânico. É realmente patético que esses esquerdistas que na época apoiaram a postura assumida por Livingstone não conseguem fazer o mesmo hoje contra o Charlie Hebdo.

 
Em 1930 nos EUA, quando os brancos queimavam negros em árvores, os brancos também poderia ter usado o argumento de que eles, como Charlie Hebdo, satirizam todas as religiões igualmente. Afinal, havia caricaturas até sobre o presidente americano! No entanto, fazer caricaturas insultantes sobre os brancos que controlavam as estruturas de poder não era o mesmo que demonizar pessoas negras,  uma subclasse sem qualquer direitos políticos.

Na América de 1930, quando os brancos estavam queimando e enforcando o povo negro em árvores, os brancos também poderiam ter utilizado o argumento de que eles, como o Charlie Hebdo, atacavam todas as religiões igualmente. Afinal, havia caricaturas até mesmo sobre o presidente! [e também sobre Roma, atacando o catolicismo, como pode ser visto nas caricaturas do jornal ‘Good Citizen’ da Ku Klux Klan]. No entanto, fazer caricaturas insultantes sobre os brancos que controlavam as estruturas de poder não era a mesma coisa que demonizar o povo negro – que pertenciam à classe-baixa e não possuíam o domínio do poder.

Assim como ocorreu com os irlandeses, as imagens de negros caracterizados como estúpidos, violentos, ladrões, preguiçosos e sendo comparados a símios confirmaram uma realidade política: tais imagens reforçaram os preconceitos dos que estavam no poder contra os negros subjugados. Até os anos de 1950, letreiros que diziam ‘Não é permitido a entrada de cães, negros e mexicanos’ eram marcas registradas das leis de segregação racial impostas legalmente nos Estados Unidos. A lei Franck contra mulheres muçulmanas de usarem o véu/hijab encontra-se nessas mesmas linhas.

O mesmo pode ser dito sobre os judeus na Alemanha nazista – imaginem o argumento espúrio e pretensioso de hoje sendo utilizado pelos nazistas; um jornal alemão poderia esconder-se por trás da reivindicação que também fez piada com os alemães brancos? É injustificável que somente os judeus tenham se queixado! Afinal de contas, os alemães não reclamaram quando foram ridicularizados – aqueles judeus atrasados e sua religião gananciosa não compreendem a liberdade de expressão!

Esta é a memória de um judeu que relata como era na época da Alemanha nazista:

“Meu primeiro encontro pessoal com o antissemitismo foi através das horríveis caricaturas de judeus nos jornais oficiais de propaganda nazista, ‘Das Schwarze Korps’, um jornal da SS, e ‘Der Völkische Beobachter’, exibidos em vitrines e nas paredes das esquinas. Eles mostravam os judeus como figuras horrendas, feias e com enormes narizes, vestidos com uniformes russo-bolcheviques ou com um chapéu do ‘Tio Sam’ e chamavam-nos de Plutocratas, os quais aparentemente queriam (ou estavam tentando) dominar o mundo, lucrando com a exploração dos alemães inocentes representados por uma boa aparência. Muito diferente da realidade!”. [4]

Os muçulmanos da França e de outros países europeus estão sofrendo esse mesmo tipo de ataque hoje. Milhares de muçulmanos do Oriente Médio e Afeganistão têm sido chacinados pelos exércitos imperialistas nas últimas décadas e o racismo contra os muçulmanos justifica essa matança em massa. Identificamos o racismo anti-muçulmano hoje, assim como o recrudescimento do massacre imperialista no Oriente Médio, aos materiais anti-cristão e antissemita, repulsivo e reacionário como realmente é.

A CLASSE OPERÁRIA FRANCESA DEVE DEFENDER OS MUÇULMANOS OPRIMIDOS

O blogueiro Asghar Bukhari coloca a questão do seguinte modo:

“Os brancos não gostam de admitir isso, mas essas caricaturas confirmam seu preconceito, o seu racismo, sua supremacia política, e fazem como querem – imagens que sustentam uma ordem política construída sobre discriminação. Os muçulmanos de hoje são uma subclasse demonizada na França. Um povo vilipendiado e atacado pelas estruturas do poder. Um povo pobre, com pouco ou nenhum poder, e essas caricaturas vis só fizeram piorar suas vidas e aumentaram ainda mais o preconceito racista contra eles. Até mesmo os brancos liberais têm agido da maneira ainda mais preconceituosa. É como se os brancos tivessem o direito de ofender os muçulmanos e os muçulmanos, em troca, não tivessem o direito de se sentirem ofendidos”. [5]

Não obstante, precisamos fazer de fato um “alerta de saúde” sobre essa abordagem. “As pessoas brancas” não são o problema, e sim o próprio imperialismo cuja ideologia atinge profundamente a classe trabalhadora francesa, essa é a verdade. No curso desta abordagem não-classista Asghar Bukhari frequentemente confunde ‘sionista’ com ‘judeu’ e, portanto, está aberto à acusação de antissemitismo. E, como um representante educado dos muçulmanos oprimidos, é inaceitável confundir as duas coisas. A tarefa dos marxistas é forjar um programa de ação para defender os muçulmanos da França e da Europa contra o Estado e a extrema-direita, forjando a unidade com a classe trabalhadora.

Nisto nós concordamos inteiramente com a afirmação da RCIT:

“A principal tarefa para os socialistas na França e na Europa agora é organizar unidades de autodefesa, a fim de proteger as mesquitas e distritos migrantes contra ataques chauvinistas. É igualmente urgente construir uma ampla frente única contra o chauvinismo anti-muçulmano. Finalmente, é urgente construir um forte movimento anti-guerra contra a guerra imperialista que se alastra no Oriente Médio e na África.” [6]

Da mesma forma, concordamos com sua denúncia da esquerda francesa, como o PCF, cujo social-chauvinismo a levou a apoiar a “unidade nacional”, ou seja, os ataques da sua classe dominante aos muçulmanos. O NPA e a Lutte Ouvrière, mesmo defendendo os muçulmanos corajosamente, também erraram ao não colocar o ataque em seu contexto político e histórico:

“O RCIT condena severamente o Partido Comunista Francês (PCF) e muitos outros chamados grupos ‘esquerdistas’ por darem seu apoio ao chamado pró-imperialista de Hollande pela ‘Unidade Nacional’. Enquanto as forças centristas – o Novo Partido Anti-Capitalista (cujos líderes fazem parte da mandelista ‘Quarta Internacional’) e Lutte Ouvrière – que em suas declarações de 7 de janeiro não aderiram à reacionária proposta de Hollande de ‘Unidade Nacional’, ambos condenaram o ataque à Charlie Hebdo como um ataque à ‘liberdade de expressão’. Ao mesmo tempo, eles não mencionam sequer uma única palavra sobre a conexão entre este evento e as guerras imperialistas da França contra os povos muçulmanos, ou a opressão e super-exploração dos imigrantes. Em suas declarações, ambos os grupos centristas se referem às suas estreitas relações com os jornalistas da Charlie Hebdo e, assim, revelam a sua afiliação com o meio burguês-liberal.” [7]

Esta colaboração e silêncio da esquerda é ainda mais chocante, considerando a história da exploração do imperialismo francês do Norte da África e os massacres tanto contra os muçulmanos do Norte de África como da própria Paris.

Resumimos a citação do artigo de Mawuna Remarque Koutonin no Wiki:

Ainda hoje 14 países africanos são obrigados a pagar o imposto colonial para os benefícios da colonização e escravatura. Os confrontos foram cruciais para De Gaulle com a Guiné, Togo e Senegal, os restantes foram obrigados a seguir o exemplo. Em 1958, a França deixou a Guiné e destruiu toda a infra-estrutura quando saíram, esmagando carros e derrubando edifícios em uma orgia de destruição. O próximo alvo era o Togo, que foi obrigado a concordar em pagar uma dívida anual à França para os chamados “benefícios” que o Togo havia recebido da colonização francesa. O Senegal assustou-se com a consequência de escolher a independência da França; e então o primeiro presidente do país, Leopold Sédar Senghor, declarou: “A escolha do povo senegalês é pela independência; eles querem que ela ocorra somente através da amizade com a França, e não por meio da disputa”. A partir daí, a França só aceitou a “independência no papel” para suas colônias, assinando obrigatoriamente os “Acordos de Cooperação”, detalhando a natureza de suas relações com a França, em especial os laços com a moeda colonial francesa (o Franco), o sistema educacional francês, o exército e as preferências comerciais. [8]

Devemos recordar o massacre de 200 argelinos em Paris no dia 17 de outubro de 1961, durante a Guerra da Argélia (1954-1962). O artigo da Wiki nos dá uma imagem fiel da natureza do Estado francês e as forças policiais ainda hoje:

“Sob as ordens do chefe da polícia de Paris, Maurice Papon, a polícia francesa atacou uma manifestação proibida de aproximadamente 30.000 argelinos pró-FLN… Muitos manifestantes morreram quando foram violentamente arrebanhados pela polícia no Rio Sena, onde alguns foram jogados da ponte após uma sessão de espancamento até ficarem inconscientes. Outros manifestantes foram mortos dentro do pátio da sede da polícia de Paris depois de terem sido presos e levados em um ônibus da polícia.

(…) Maurice Papon, que morreu em 2007, foi o único oficial francês de Vichy a ser condenado por seu papel na deportação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o historiador Jean-Luc Einaudi, um especialista do massacre de 17 de outubro de 1961, algumas das causas da repressão violenta da manifestação de 17 de outubro de 1961 podem ser compreendidas em termos da composição da própria força policial francesa, que ainda incluía muitos ex-membros que participaram do regime de Vichy durante a Segunda Guerra Mundial, que haviam colaborado com a Gestapo para prender massivamente os judeus, como por exemplo, no episódio conhecido como Vel’ d’Hiv Roundup ocorrido em 16-17 de julho de 1942.

Incentivado pelo deputado da extrema-direita Jean-Marie Le Pen, (em março de 1958) 2.000 deles tentaram entrar no Palais Bourbon, sede da Assembleia Nacional, com gritos de “Sales Juifs! A la Seine! Mort aux fellaghas!” (Judeus sujos! Ao Rio Sena! Morte aos rebeldes argelinos!). Com a recomendação do Ministro do Interior Maurice Bourgès-Maunoury, Maurice Papon foi nomeado prefeito da polícia no dia seguinte.” [9]

A CARNIFICINA DOS COVARDES

“A carnificina dos covardes” foi como denominaram o ataque a Charlie Hebdo em um post no Facebook. Mas “a carnificina dos covardes” está lançando bombas a 20.000 pés sobre civis indefesos, e nunca poderemos ver seus rostos ou saber sobre o trabalho que desempenhavam. Os maiores covardes e carniceiros estão na Casa Branca, em Downing Street, no Palácio do Eliseu e em Tel Aviv. Os parentes das vítimas ultrajadas muitas vezes não possuem a compreensão política sobre como extrair a justiça revolucionária desses assassinos em massa. E tomam como alvo trabalhadores que não têm nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu com eles. E as agências de espionagem imperialistas da CIA, MI5, Mossad etc. estimulam e fomentam esses métodos por meio de operações de ‘falsa bandeira’, que são muito bem calculadas para inflamar as tensões sectárias e fortalecer o braço do Estado contra os oprimidos.

A causa da violência é o imperialismo e não o fundamentalismo religioso. É claro que um governo revolucionário terá de encarar esse problema real de sensibilidade para separar os opressores secundários de suas vítimas, defender os camponeses dos latifundiários, as mulheres da imposição do véu etc. Mas nunca, nunca como um aliado da ‘missão civilizadora’ do imperialismo, nunca se deixar levar por essa conversa fiada de paz e democracia que só coloca duplas cadeias sobre os oprimidos. Isso é imperdoável na Ucrânia, na Palestina, em todo o Oriente Médio e em todo o mundo semi-colonial. O contraste entre a abordagem burocrática/stalinista/liberal-imperialista à religião e a abordagem marxista colocada em prática no início do Comintern está delineado no documento de 1997:

Afeganistão: Método Marxista vs. Método Burocrático, por Gerry Downing 1997. A citação a seguir indica as tarefas que uma Quarta Internacional reconstruída deve enfrentar nessas terras e como lidar com eles:

“Demorou 15 anos de guerra para subjugar as revoltas nas repúblicas soviéticas da Ásia Central causadas pelos métodos menchevique e stalinista-burocrático. Alguns conflitos foram e serão inevitáveis se o poder dos mulás, khans e fundamentalistas for quebrado novamente nos países da Ásia Central Soviética e no Afeganistão, e o Irã através da Argélia. A humanidade pagará um preço terrível pela marginalização do método de transição dos bolcheviques e o triunfo dos métodos burocráticos contrarrevolucionários da reação de luta do stalinismo e do nacionalismo pequeno-burguês nesses estados.”

Desafiamos qualquer pessoa a dizer a caricatura das mulheres nigerianas sequestradas não é propaganda vil, racista, islamofóbica e sexista do imperialismo francês. Aqui há um duplo significado sugerindo que as jovens estão “finalmente” com raiva porque seus benefícios estão sendo retirados e não se importam de serem sequestradas e estupradas repetidamente.

A islamofobia é o “racismo du Jour” no clima político atual. E o Charlie Hebdo lançou uma publicação anti-russa sobre a Ucrânia para que ninguém duvidasse de suas verdadeiras lealdades as políticas pró-imperialistas.

NOTAS:
* Da tarde ou em tradução livre, de hoje.
[1] Trotsky, Leon. Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual (novembro de 1911), http://www.marxists.org/archive/trotsky/1911/11/tia09.htm

[2] WSWS, A hipocrisia da “Liberdade de Expressão” depois do ataque no Charlie Hebdo, http://www.wsws.org/en/articles/2015/01/09/pers-j09.html

[3] Artista de Rap sem Antecedentes Criminais Enfrenta a Vida na Prisão Pelas Letras de seu Álbum, 19 de novembro de 2014, http://countercurrentnews.com/2014/11/rap-artist-with-no-criminal-record-faces-life-in-prison-for-album-lyrics/

[4] A Família Brichta, http://www.holocaustresearchproject.org/survivor/brichta1.html

View story at Medium.com

[5] Declaração da Tendência Revolucionária Comunista Internacional (RCIT), 1/9/2015, http://www.thecommunists.net

[6] Ibid.

[7] 14 Países Africanos São Obrigados a Pagar Imposto Colonial à França para os Benefícios da Colonização e Escravatura, por Mawuna Remarque Koutonin http://www.siliconafrica.com/france-colonial-tax/

[8] O massacre de 1961, http://en.wikipedia.org/wiki/Paris_massacre_of_1961

[9] Afeganistão: Método Marxista vs. Método Burocrático, por Gerry Downing, 1997 https://www.scribd.com/doc/67406622/Afghanistan-Marxist-Method-vs-Bureaucratic-method-By-Gerry-Downing-1997

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