SF- PLEBISCITO PELA INDEPENDENCIA DA ESCÓCIA Vote “NÃO”

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14/09/2014 by socialistfight

domingo, 14 de setembro de 2014

SF- PLEBISCITO PELA INDEPENDENCIA DA ESCÓCIA

Vote “NÃO”

Declaração do Socialist Fight sobre o referendo escocês que ocorrerá em 18 de setembro:

8 de setembro de 2014

English version – Socialist Fight

NOTA INTRODUTÓRIA DO COMITÊ DE LIGAÇÃO PELA IV INTERNACIONAL:

As organizações do Comitê de Ligação pela IV Internacional não chegaram a um acordo comum sobre que tática adotar diante do plebiscito acerca da independência da Escócia. A Liga Comunista, do Brasil, e a Tendência Militante Bolchevique, da Argentina, defendem o voto “SIM”. O Socialist Fight, da Grã Bretanha, defende o voto “NÃO”. Nossa jovem proto-internacional, que aspira se construir como um partido centralizado internacional, ainda não possui estrutura interna desenvolvida o suficiente para deliberar por votação interna a posição majoritária do CLFI diante desta questão. Não escondemos nossas divergências internas sobre essa tática e acreditamos que a publicação das duas posições seja a forma mais honesta de tratar o tema diante da classe operária, dos oprimidos e de sua vanguarda classista mundial.

Lenin assinalou criticamente sobre a questão nacional:

A defesa de um ‘SIM’ ou de um ‘NÃO’ acerca da questão da separação de uma nação pode parecer muito “prática”. Na realidade, isto é um absurdo; é metafísico em teoria, ao passo que, na prática, leva a subordinação do proletariado à política da burguesia. A burguesia sempre coloca suas exigências nacionais em primeiro plano, e faz isso de forma categórica. Com o proletariado, no entanto, essas demandas são subordinadas aos interesses da luta de classes. Teoricamente, não se pode dizer de antemão se a revolução democrático-burguesa em uma determinada nação vai acabar na secessão de outra nação, ou na sua igualdade com a última; Em ambos os casos, o importante para o proletariado é assegurar o desenvolvimento de sua classe. Para a burguesia é importante dificultar este desenvolvimento, colocando os objetivos da ‘sua’ nação antes dos do proletariado. É por isso que o proletariado é contido com a reivindicação defensiva do reconhecimento do direito à autodeterminação, sem dar garantias de qualquer nação, e sem comprometer-se a dar qualquer coisa em detrimento de outra nação… Na medida em que a burguesia da nação oprimida luta contra o opressor, estamos sempre, em todos os casos, e mais fortemente do que qualquer outra pessoa, a favor, pois somos o mais firme e os inimigos mais consistentes de opressão. Mas na medida em que a burguesia da nação oprimida representa o seu próprio nacionalismo burguês, estamos contra. Lutamos contra os privilégios e a violência do país opressor, e não podemos tolerar de forma alguma os privilégios dentro da nação oprimida“. [1]

A desintegração dos Impérios: A Áustria-Hungria era uma Torre de Babel, um caos poliglota no qual mesmo os austríacos não conseguiam se entender… Os tchecos queria o restabelecimento do reino da Boêmia, e, finalmente, a união com a Rússia, Os Routhenians, oprimidos pelos poloneses e diferindo em língua e religião deles, aspiravam ansiosamente por uma incorporação no império do Czar. Os poloneses proclamou secretamente, se não abertamente, a restauração do reino da Polônia. A Itália irredenta [aspiração de um povo a completar a própria unidade territorial nacional, anexando terras de outro] estava sempre atenta para a Trentina e Trieste, não importa quão duro os eslavos, funcionários e policiais tentaram suprimir esta aspiração. Os eslavos do sul das costas da Dalmácia, Croácia e Eslavônia clamavam por uma unificação, e seu objetivo principal era o restabelecimento do antigo reino da Sérvia, abrangendo também a Sérvia, Bósnia, Herzegovina e Montenegro. Os romenos desejava sua anexação pelo jovem e vigoroso reino austro-húngaro. E, por último, não menos importante, os alemães da Boêmia, Morávia, Silésia, Baixa Áustria, Estíria, e os habitantes mais avançadas e politicamente educados dos Alpes, desejava uma união das províncias alemãs com a Alemanha de uma forma ou de outra.
Inspirados pela citação de Lenin temos de responder a certas perguntas para decidir sobre um “sim” ou “não”:

  1. A Escócia é uma nação? Nós dizemos que sim.
  2. A Escócia é uma nação oprimida? Nós dizemos não, é uma nação imperialista.
  3. Ela tem o direito de autodeterminação? Nós dizemos que sim, mas nos opomos a que o exercício desse direito.
  4. A separação da Escócia interessa a classe trabalhadora britânica ou internacional? Nós dizemos não.

O QUE ESTÁ IMPULSIONANDO OS MODERNOS MOVIMENTOS

DE SEPARAÇÃO NACIONAIS EM PAÍSES IMPERIALISTAS?

Desde a derrota da Argentina na guerra das Malvinas, em 1982, da derrota dos controladores de tráfego aéreo dos EUA e da dissolução de seu Sindicato (PATCO) por Ronald Reagan (também em 1982), a derrota da greve dos mineiros na Grã-Bretanha, em 1985, esteve em ascensão a agenda neoliberal do capital financeiro global. Esta ofensiva resultou na derrota da Europa Oriental, da Rússia e da China como os Estados operários degenerados e deformados entre 1989-1992. Na sequência da dissolução da Iugoslávia a partir de 1990 (da dissolução do Partido Comunista iugoslavo), tem sido cada vez mais frequente o apoio dos imperialismos ao desmembramento de Estados no mundo semicolonial, a fim de arrancá-los da influência dos Estados emergentes para colocá-los sob influencia do capital financeiro global. Estônia, Letônia, Lituânia e outras repúblicas da antiga URSS como Eslovênia, Croácia, Bósnia, Sérvia, Montenegro, etc. em todos esses casos, o FMI e o Banco Mundial têm pressionado por privatizações, venda dos ativos do Estado, cortes de salários, destruição de cuidados com a saúde, educação e pensões para os idosos. Os lobos das multinacionais globais uivam pela riqueza gerada a partir de toda essa pilhagem.

Na desintegração da Iugoslávia e em alguns outros países, o método consistia em recorrer para as burguesias nacionais das repúblicas mais prósperas para que rompessem com o fornecimento de subsídios às repúblicas mais pobres e estabelecer relações diretas com o imperialismo, em prejuízo da classe operária nesses países – a expectativa de vida quase sempre despencou, caindo drasticamente como consequência dessas “libertações” – a ex-URSS e Iugoslávia são exemplos extremos disso. O Tibete e os uigures que vivem na Região Autónoma Uigur de Xinjiang na China são os principais alvos para a intervenção da CIA para fragmentar a China.

Como consequência, a questão nacional começou a ressurgir nos países imperialistas, como parte do avanço da ideologia neoliberal incentivada pela burguesia local, regiões que historicamente faziam parte de Estados buscam relações diretas com o imperialismo, em grande parte, mas não exclusivamente, com o imperialismo dos EUA e suas transnacionais. As regiões mais importantes por onde começaram as pressões pela a autodeterminação são a Catalunha, na Espanha; o País Basco, na Espanha e na França, a região de Vêneto (Veneza) do norte da Itália, a região flamenga da Bélgica e a Escócia. A motivação da burguesia para impulsionar todos esses movimentos é o mesmo, enriquecer-se através do estabelecimento de relações mais estreitas com o capital financeiro imperialista, para aumentar a superexploração da sua própria classe operária e deixar de subsidiar as regiões mais pobres.

Os quatro movimentos no continente europeu são, obviamente, motivados pelo desprezo burguês para com os pobres do sul do Mezzogiorno, da Andaluzia e Extremadura e resto da Bélgica, que é o mais pobre em geral. O referendo escocês é disputado na base de “o que é melhor para a Escócia“, exaltando as vantagens do petróleo do Mar do Norte e do relacionamento da Escócia com Wall Street. Salmond abandona uma fracassada política de “miopia nacional” para cair em outra. Antes da crise de 2008, a Escócia caminhava para converter-se no “Reino da Prosperidade” a noroeste da Europa, juntamente com a Noruega, Islândia e Irlanda. Já não se escuta mais falar deste mito agora, exceto quando relembram seus adversários. No entanto, os movimentos flamengo e italiano são liderados por forças de extrema-direita, diferentemente do movimento espanhol e escocês que representam nações históricas e são liderados por forças liberais burgueses e de centro-direita. A classe operária escocesa militante de meados dos anos 1980 não teria aceitado isso e nenhum grupo importante ou mesmo pequeno da extrema esquerda da Grã-Bretanha como o WRP, o SWP ou The Militant defendeu isso naquele momento.

Quando se escutou os primeiros rumores sobre a crise do Banco RBS, Salmond os desprezou como sendo rumores de “alguns aproveitadores e especuladores“. Ele era talvez a última pessoa capaz de entender que os bancos da Escócia foram implodidos e não admite mesmo agora que a Escócia teria ido a falência se não tivesse sido socorrida por Westminster, ou seja, se os contribuintes ingleses não o tivessem salvado. (Mais tarde descobriu-se que como também foi anunciado pelo London Review of Books):

Que a principal causa do desastre, no caso do Reino Unido, foi a imprudência total dos dois principais bancos escoceses, RBS e HBOS, é uma verdade inconveniente que jamais poderíamos esperar que o atual líder do SNP admitisse, especialmente porque ele foi anteriormente empregado como economista por uma dessas instituições que agora são zumbis. Ainda mais inconveniente para Alex Salmond, é admitir que os dois pilares do setor bancário escocês, outrora motivo de orgulho, são agora sustentados pelo Estado britânico (ou seja, em grande parte pelos contribuintes ingleses). Salmond contesta este terremoto econômico culpando uma dupla de traidores anglo-escoceses, Gordon Brown e Alistair Darling, por não regulamentar corretamente o setor financeiro. Isto ressalta outra verdade ainda mais inconveniente para o SNP: até o estouro da crise com os bancos, Salmond estava pedindo uma regulação financeira mais branda da que foi imposta pelo New Labour. Em uma entrevista com o Times em 7 de abril de 2007, ele declarou: ‘Estamos comprometendo uma regulamentação leve, adequado ao setor financeiro escocês, com sua excelente reputação e probidade administrativa.’ A realidade é que Salmond era o rei dos ‘aproveitadores e especuladores’ que ele veio a denunciar depois, e se eles vivem no Salmondistan e não na Brownland hoje, seus compatriotas seria em uma situação ainda mais horrendo do que os cidadãos da Islândia ou da Grécia.” [2]

A próxima “miragem” era que a Escócia seria parte do sonho europeu, uma vez que iria poder aderir automaticamente a UE. Em tom de desafio, Salmond disse que havia recebido consistentes e virtuosas informações sobre o assunto. Descobriu-se que tratava-se de uma mentira descarada ao Parlamento Hollyrood da qual ele só conseguiu escapar porque os Trabalhistas não o pressionaram de forma rigorosa. Ele não só não dispunha de tais informações como ninguém tinha devidamente estudados a questão ainda. A UE emitiu uma enxurrada de declarações taxativas determinando que a Escócia teria que se enquadrar da mesma forma que qualquer outro Estado e que a adesão não seriam concedidas com tanta pressa. O Estado-Membro pertinente é o Reino Unido, do qual a Escócia é uma região. Se a Escócia deixa o Reino Unido, isto, obviamente, significa deixar de ser uma parte de um Estado-Membro. Foi nesse ponto que o governo espanhol disse que (por razões óbvias e Catalônicas) que iria vetar qualquer pedido de ingresso da Escócia.

A ESCÓCIA É UMA NAÇÃO IMPERIALISTA MENOR,

AO CONTRÁRIO DA IRLANDA

Lênin escreveu em 1913:

“Obviamente, os Marxistas se opõem ao principio federativo e a descentralização pela simples razão de que o capitalismo necessita para o seu desenvolvimento de Estados maiores e mais centralizados possíveis. Em igualdade de condições, o proletariado consciente estará sempre para o Estado maior. Ele sempre vai lutar contra o particularismo medieval, e será sempre bem-vinda a fusão econômica de grandes territórios em que a luta do proletariado contra a burguesia podem se desenvolver em uma base mais próxima e ampla.

O amplo e rápido desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo exige territórios grandes, politicamente compactos e unidos, pois só aqui pode a classe burguesa, juntamente com seu antípoda inevitável, a classe proletária, se unir e varrer todo a velha, medieval, casta paroquial, micro-nacional, religiosa e outras barreiras.

O direito das nações à autodeterminação, ou seja, o direito de se separar e formar Estados nacionais independentes, será tratado em outro momento. Mas, enquanto e na medida em que, diferentes nações constituem um único Estado, os marxistas nunca, em hipótese alguma, defenderão tanto o princípio federativo ou a descentralização. O grande Estado centralizado é um enorme passo histórico para frente da fragmentação medieval para a futura unidade socialista de todo o mundo, e só através de um tal Estado (inseparavelmente ligados com o capitalismo), pode haver qualquer caminho para o socialismo”. [3]

Esta citação tem sido frequentemente utilizada pelo Partido Socialista CWI/CIT (cuja seção no Brasil é a LSR/PSOL), dentre outros, para se opor aos direitos legítimos das nações oprimidas à autodeterminação. Primeiramente cabe a nós mostrarmos que a Escócia é uma nação imperialista agora em aliança com o imperialismo Inglês e Galês no Estado britânico. Se a Escócia consolidar sua independência será um pequeno Estado imperialista, como a Bélgica ou a Holanda. As comparações com a Irlanda, que é uma nação oprimida e cujos seis condados do nordeste ainda são uma colônia do imperialismo britânico, não são válidas. Vejamos a diferença histórica:

“A ASCENDÊNCIA PROTESTANTE: SÉCULO 18

Os protestantes da Irlanda, triunfantes das sequelas da batalha de Boyne (1690) logo tomaram medidas para obter vantagens duradouras sobre os seus inimigos católicos… Enquanto isso as leis penais restringem severamente as liberdades católicas em outras regiões. Isto proibiu aos católicos de terem assento no parlamento de Dublin, ocupar cargos públicos, possuir uma escola e até mesmo de possuir um cavalo decente (no valor superior a £ 5).

Apesar das vantagens, assim asseguradas, para os protestantes da Irlanda, eles também encontraram motivo de ressentimentos durante o século 18. Cada vez mais a ascendência protestante significava a ascensão de protestantes ingleses. Os melhores postos de trabalho, na igreja ou no governo, são dados aos recém-chegados do outro lado do Mar da Irlanda. O comércio irlandês sofre tarifas e restrições prejudiciais. A Escócia, agora em união política com a Inglaterra, goza de livre comércio; em contrapartida, o mercado irlandês é controlado a partir de Westminster (que proíbe, por exemplo, a exportação da lã irlandesa).

Os irlandeses encontraram muita simpatia para suas denúncias nas colônias americanas. As demandas irlandeses encontraram maior eco nos anos após a Revolução Americana”. [4]

Aproveitando esse auge internacional da revolução burguesa, que culminou com a Revolução Francesa (1889-1894) Henry Grattan estabeleceu um alto grau de independência no Parlamento da Irlanda. Sua influência durou entre 1782-1800 (“Mal entrei no seu berço, chegaram com o seu carro funerário”, disse Grattan, lamentando a sua morte, em 1801) e exerceu relativa independência econômica, a única desse período a Irlanda experimentou entre Act de 1495 e 1922 Poynings’. A grande revolução burguesa da Irlanda foi esmagada com extrema barbárie pela Grã-Bretanha em 1798. A história da Escócia foi completamente diferente; ela teve sua revolução burguesa com sucesso na década de 1640, simultaneamente com a Inglaterra e País de Gales, mas ainda assim de forma significativa em separado e diferente para estabelecer-se como uma nação com seu próprio direito. Ela agora desfrutava de livre comércio. Segundo a Wikipedia:

A Escócia viveu “sete séculos como um Estado independente e depois passou os últimos três séculos unida com a Inglaterra como um país do Reino Unido … Depois de 1800, a economia decolou, se industrializou rapidamente, com têxteis, carvão, ferro, estradas de ferro, além de sua famosa construção naval e serviços bancários. Glasgow foi o centro da economia escocesa… A economia, muito baseada na agricultura, começou a se industrializar após 1790. A primeira e principal indústria foi a fiação e a tecelagem de algodão. Em 1861, a Guerra Civil Americana, abruptamente cortou o fornecimento de algodão cru e essa indústria nunca mais se recuperou. Graças aos seus muitos empresários e engenheiros, e seu grande estoque de carvão de fácil extração, a Escócia tornou-se um centro mundial de engenharia, construção naval e ferroviária, com a substituição do ferro pelo aço após 1870 “[5]

Ou como amigo no Facebook resumiu de forma mais sucinta:

A primeira tentativa da Escócia para se juntar as economias escravocratas (o Desastre de Darien) foi um fracasso espetacular, foi quando o baluarte do sonho imperial britânico desde meados do século XVIII, quando Glasgow era chamada a “Lord Tabaco” começou a adquirir a sua fabulosa riqueza. Essa riqueza foi, naturalmente, apoiada em um pequeno trio alegre tráfico de drogas, contrabando e escravidão. Quando a revolução industrial começou, a burguesia escocesa continuou a apoiar o seu empreendimento imperial ao máximo, baseando a sua riqueza de fabricação na atração de mercados cativos de um lado e na intensa exploração da classe trabalhadora local, por outro.”

Esta é a história política e econômica de uma nação imperialista, integrante do Império como um parceiro com plenos direitos. A Irlanda, por outro lado, se deteriorou economicamente de forma rápida após a sua união forçada com a Grã-Bretanha em 1801 depois de já ter-se arruinado profundamente durante a Grande Fome de 1845-1848, que fez desaparecerem 2 milhões de pessoas do seu censo de 1841, entre mortos e emigrados. Dublin foi a segunda cidade do Império, em 1801, mas em 1913, durante a Greve Geral, as terríveis condições de pobreza e habitação dos seus trabalhadores fez com que sua expectativa de vida e as suas taxas de mortalidade infantil não encontrassem paralelo na Europa e ficassem em pé de igualdade com as de Calcutá. De uma população de 8,5 milhões, em 1841, a Irlanda, como um todo, diminuiu para cerca de 4,5 no século 20 e só voltou a subir novamente nos anos 60 para atingir seu nível atual de 6,4 milhões.

Apesar dos esforços dos nacionalistas irlandeses para livrar os componentes escoceses e galeses do Império pelos crimes que praticaram na Irlanda e pelos “problemas” de 1918-1921 mediante insistente referência a Grã-Bretanha como sendo apenas “Inglaterra” ou “pérfida Albion” os King’s Own Scottish Borderers (um regimento da infantaria do Exército Britânico) eram identificados pelos líderes do IRA por serem particularmente cruéis. Em julho de 1914, foi o Regimento dos ‘Borderers’ que realizou o massacre de Bachelors Walk em Dublin, após a operação de contrabando de armas no porto de Howth para os voluntários irlandeses defensores da autonomia, ainda comemorada até hoje. A oeste de Cork como registrado por Tom Barry em sua obra “Dias de guerrilha na Irlanda” a ordem era matar à primeira vista, e de fato os homens do IRA tinham sorte se ele eram mortos e não capturados por estes batalhões. O IRA permitiu que outros regimentos se rendessem; eles foram desarmados e autorizado a regressar ao quartel. Os Borderers não foram menos cruéis durante os últimos “problemas” ocorridos entre 1968-98, no norte da Irlanda. [6]

As duas origens do SNP moderno, os Escoceses Unionistas

e a esquerda nacionalista; verdadeiramente “Tories de tartan”.

Tartã (do inglês tartan) é um padrão quadriculado de estampas,

composto de linhas diferentes e cores variadas.

A título de exemplo, podemos mencionar o uso frequente

desta estampa em kilts, indumentária típica escocesa.

É um fato contraditório, mas muito revelador que as origens políticas do SNP estão na tradição escocesa unionista, que tinha apelado com sucesso aos eleitores da classe trabalhadora protestantes alegando que a defesa do Império era a defesa dos empregos industriais, em particular, do oeste da Escócia. Depois da derrota da esquerda social-democrata entre 1973-1982, a partir da eleição de Margo MacDonald que expulsou o Grupo dos 79 Socialistas, do qual Alex Salmond foi membro. Salmond foi girando o partido para à direita de volta às suas raízes conservadores desde que se tornou seu líder em 1990. Os remanescentes membros da ala esquerda romperam para se juntarem ao malfadado Partido Socialista Escocês de Tommy Sheridan em 1998.

Não é por acaso que o SNP é apelidado de “Tartan Tories”, só que agora o SNP está focado mais para o imperialismo norte-americano do que para o imperialismo britânico. O Partido Unionista escocês era uma ala do partido conservador até 1965, como os Unionistas do Ulster, até 1973, era o principal partido de direita na Escócia entre 1912 e 1965, quando os conservadores começaram a se expressar em seu próprio nome. Ele ganhou entre 25 e 42 por cento dos votos para o establishment conservador naqueles anos. Como o artigo da Wikipedia explica:

A unidade imperial popular foi a linha condutora do sistema de crenças do Partido Unionista Escocês. Embora tenha sido o toque de recolher na Irlanda o que definiu as circunstâncias para a criação do partido, e não o princípio da autonomia em relação a Grã Bretanha, que eles se opunham, mas a crença de que a independência da Irlanda levaria à dissolução do Império Britânico. Isto foi demonstrado pela sua aceitação e apoio ao domínio do Estado sobre as colônias, como Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Terranova. Essa colcha de retalhos que compôs o sistema de crenças do Partido Unionista Escocês foi demonstrada quando da ruptura dos membros do partido para a criação do Partido Escocês, que eventualmente se fundiu com o Partido Nacional da Escócia para formar o Partido Nacional Escocês. [7]

Brian Souter, o milionário escocês e fundador do gigante grupo de transportes Stagecoach tem sido um defensor de longa data do SNP. Em 2000, quando o Executivo escocês estavam planejando a abolir as 28 leis homofóbicas introduzidas por Margaret Thatcher em 1988, que proibia as autoridades locais de “promoção intencional da homossexualidade “, Souter fez abertamente uma campanha homofóbica pela manutenção das leis homofóbicas. Alex Salmond foi criticado por “favorecer a homofobia” em 2007, quando ele aceitou £ 500.000 de Souter. Ele negou qualquer vínculo, mas, em seguida, o partido se opôs ao direito de casais homossexuais a igualdade de tratamento nas agências de adoção católicas. Salmond agradeceu Souter por seu apoio, chamando-o de “um dos empreendedores de destaque de sua geração”. Em abril de 2007, o SNP desistiu de implementar sua promessa pela regulamentação da rede de ônibus que havia feito na conferência do ano anterior. Salmond inacreditavelmente negou que a doação de £ 500.000 tivesse qualquer ligação com esta decisão. Novamente, em 2011, Souter deu apoio financeiro para o SNP de até £ 500.000. Ele, obviamente, espera ser recompensado novamente por isso.

COMO É QUE A CLASSE TRABALHADORA

ESCOCESA, INGLESA E GAULESA ENCARAM O REFERENDO?

Não se trata apenas de uma questão econômica, mas como esta realidade econômica é entendida pela massa dos trabalhadores. É isto que importa para os marxistas. Isto assim que Lenin julga a questão, como visto no início deste documento. Temos de nos diferenciar rigorosamente do nacionalista burguês de Alex Salmond. Salmond dita o conteúdo político da campanha do referendo “SIM” de modo afinado com o ex-dirigente do Partido Socialista Escocês, Tommy Sheridan, dançando a sua música a ponto de que os escritores do WSWS, Steve James e Jordan Shilton, especulam, em 05 de julho de 2014, de maneira um tanto fantasiosa, que ele está prestes a juntar-se ao SNP.

Em uma reunião recente em East Kilbride, Sheridan começou seu discurso com uma referência a ridícula ao a-histórico filme ‘Coração Valente’ (Braveheart), de Mel Gibson, declarando que a obra tinha como temas principais a ‘Liberdade’. A ‘Tirania possui muitas formas’, disse ele, observando que “desde 1951, a Escócia teve que suportar 35 anos de um governo conservador sem eleições” – algo que poderia ser dito para muitas outras regiões do Reino Unido e sobre a maioria dos trabalhadores britânicos.

Em um discurso publicado na Internet, Sheridan queixou-se amargamente que a Escócia tinha pago mais para o Reino Unido nos últimos 32 anos do que recebido. Isso mostra que as pessoas na Escócia não são mendigos ‘mas auto-suficientes.’

Em entrevista a um jornal Sheridan foi mais explícito, declarando: ‘Estamos constantemente sendo informados de como a Escócia é mais forte e melhor como membro integrante do Reino Unido. Mas se você olhar para os recursos da Escócia, o nosso potencial, o nosso talento e o que temos conseguido, como nação, não há absolutamente nenhum argumento convincentemente para provar que a Escócia é melhor não sendo um país independente.‘… Este argumento vem sendo rotineiramente empregada na Itália pela Liga do Norte ou da Bélgica, pelo Vlams Belang. Estes partidos separatistas de direita queixam de que eles estão subsidiando as regiões mais pobres do país e devem ser livres para desfrutar de sua própria prosperidade“. [8]

Como Sandy McBurney observada quando polemiza contra o ex-militante do SWP (agora RS21), Neil Davidson, em sua entrevista para o Weekly Worker [semanário do Partido Comunista da Grã Bretanha]:

Alex Salmond poderia ter sido contra a guerra no Iraque, mas ele apoiou a invasão e a ocupação do Afeganistão e o bombardeio sobre a Líbia. Ele é um grande amigo do imperialismo norte-americano e do papel dominante dos EUA na política mundial. O SNP sempre fez uma grande confusão sobre os regimentos escoceses no exército britânico. Eles podem querer se livrar dos Trident [submarinos britânicos possuidores de mísseis nucleares estacionados em águas escocesas], mas eles querem permanecer na OTAN [9] e propuseram uma política de “não sei nem quero saber” em relação à presença de navios da OTAN com armas nucleares em águas escocesas. A ideia de que uma Escócia independente seria anti-imperialista é simplesmente ridícula.

… Todo o processo de dividir as nossas forças em dois países diferentes vai enfraquecer seriamente a solidariedade que existe. E ele já está acontecendo. É bastante comum que os socialistas [escoceses] não apoiem a fundação de um grande Partido Socialista na Grã-Bretanha – em vez disso, eles defendem um partido separado para a Escócia com o seu próprio programa separado. Eles rejeitam a perspectiva de um governo na Grã-Bretanha controlado pela classe trabalhadora.

Davidson também subestima o perigo real de que o voto ‘SIM’ poderia levar a um aumento do nacionalismo em ambos os lados da fronteira, devido a disputas sobre os termos exatos do “divórcio”. Se o SNP ganhar o referendo eles propõem um calendário otimista de 18 meses de negociação com Westminster que antecederam a independência real em março 2016. Este processo pode ficar muito confuso, com chauvinistas de ambos os lados da fronteira, agitando-se o ressentimento nacionalista em relação a repartição dos ativos e passivos. Em tal situação política, ambos os lados da fronteira poderiam se mover bruscamente para à direita e a independência enfraqueceria a única força social capaz de derrotar o imperialismo: a classe trabalhadora. Neste contexto, poderíamos ver o que resta do Reino Unido tornando-se ainda mais agressiva militarista após a independência de Grã-Bretanha atualmente.

Mas o capital está organizado no âmbito do Estado e, mediante a divisão das forças de muitos ativistas de esquerda que estão efetivamente realizando uma luta contra o capitalismo como um sistema. Eu realmente não consigo ver como podemos derrotar o capital organizado internacionalmente dividindo nossas forças em entidades cada vez menores. Por que deveríamos ajudar a construção de uma nova prisão nacional para a classe trabalhadora? O fato de que este aumento de nacionalismo é visível não apenas na Grã-Bretanha, mas também em muitos outros países, mostra que a esquerda reformista tradicional continua a se desintegrar e a degenerar. Precisamos de uma alternativa marxista internacional contra a velha política que ainda dominam o movimento dos trabalhadores “. [10]

Ressalta-se que não há nenhuma campanha republicana séria por um voto afirmativo de qualquer tamanho ou princípio, nenhuma sugestão de que a rainha será derrotada. Como John Wight assinala em seu blog:

O conteúdo do panfleto da campanha do SNP pelo “SIM”, até agora o único panfleto defendendo a independência que existe, confirmando de forma inegável que o SNP não luta por uma ruptura com o status quo, apenas representa a sua manutenção sob uma bandeira diferente. Apesar de sua importância histórica, nunca houve uma campanha política tão divisionista e tão estreita como esta. Considerando as evidenciam, se o resultado for a vitória do “NÃO”, isto significa que em setembro o chefe de Estado (na Escócia) já existente – a monarquia – continuará a ser o chefe de Estado, enquanto que, se o resultado for “SIM”, no pepel de chefe de Estado – a mesma monarquia – se tornará o novo chefe de Estado“. [11]

A questão da moeda escocesa após um voto “SIM” reune todos os problemas da independência escocesa. O SNP parece nunca ter feito uma reflexão séria sobre qual a moeda a Escócia usará, uma questão para a qual Alistair Darling (parlamentar trabalhista defensor da campanha pelo “NÃO”) chamou a atenção, no primeiro debate televisivo sobre a independência escocesa. Ninguém parece ter consultado ninguém, ou discutido com funcionários públicos do Banco da Inglaterra, etc. Ambos os lados são bastante lacônicos sobre o fato de que, como um novo membro da UE (sempre supondo que os espanhóis não vetarão a adesão escocesa), a médio prazo, a Escócia teria que se disciplinar para aderir ao euro. Isso teria efeitos imediatos sobre a propriedade pública na Escócia. É razoável supor que a estatal fornecedora de água ScottishWater seria rapidamente privatizada e que os transportes públicos fossem vendidos em leilão. A viabilidade do aeroporto de Prestwick, assumido pelo Estado em novembro de 2013, estaria ameaçada porque faltam vias de trafego adequados para Glasgow [ principal cidade da Escócia e terceira mais populosa do Reino Unido ].

O Ministro das Finanças, John Swinney,

e o Primeiro-ministro escocês, Alex Salmond.

O ministro das Finanças, John Swinney, promete que o novo governo vai fazer um empréstimo para financiar os pagamentos de previdência social, mas de onde? Salmond diz que eles vão desconhecer a parte escocesa da dívida do Reino Unido se a Escócia não pode utilizar a libra estelina mas isso significaria um calote que iria destruir sua autoridade financeira no mercado mundial. Eles teriam que pagar taxas proibitivas para realizar qualquer empréstimo, como os países do sul da Europa e a Irlanda foram submetidos há alguns anos atrás. Swinney não tem a intenção de fazer empréstimo para financiar os pagamentos de previdência social e quase certamente não poderia mesmo se ele tivesse. É apenas demagogia barata propagandeada para enganar os pobres; que vergonhosamente desde a classe média, passando pela imprensa até a política conspira conivente nesta fraude.

A Sterling (libra esterlina) é a moeda britânica. O governo capitalista da Grã-Bretanha não é obrigado a colocar seus recursos em risco simplesmente por simpatizar com os capitalistas escoceses. A escolha parece ser entre a libra esterlina (e neste caso a tal “independência” seria uma farsa completa pois a Escócia ficaria inevitavelmente subordinada as regras do Banco da Inglaterra) ou o Euro. Diante deste último, a escolha pela libra se assemelharia ao próprio céu. A ideia da viabilidade de uma moeda escocesa pressupõe um profundo desconhecimento para ser levada a sério. Em suma, há uma pergunta que poucos ativistas de esquerda parecem estar dispostos a fazer “uma Escócia capitalista é economicamente viável?”. Se houver dúvida quanto a isso, quais poderiam ser as consequências para a sociedade como um todo, e sobretudo para a classe trabalhadora?

Escócia é um país pós-industrial ou não? Fazer essa pergunta é respondê-la. Será que ela tem um sector financeiro viável? O colapso de seus dois principais bancos, o HBOS e o RBS, convertidos em propriedade britânica (sua atual administração já disse que irá se mudar para o sul, em caso de vitória do voto “SIM“) sugerem que há problemas sérios lá. Portanto, há pouca indústria e apenas pequenos bancos. No entanto, há muitos de advogados.

Por último, é preciso ver a coisa de um modo muito superficial para tomar uma posição pelo “SIM“, porque o establishment capitalista britânico toma uma posição pelo “NÃO“. É preciso fazer uma análise concreta de cada caso. Trotsky se opôs à separação da Catalunha da Espanha, assim como também se opuseram a burguesia espanhola e do ditador Francisco Franco. [12]

MAIS UMA VEZ SOBRE AS QUESTÕES OPORTUNAS

POSTAS PELA REVOLUÇÃO ESPANHOLA

Abaixo um trecho do texto de Trotsky sobre essa questão na Espanha em 1931:

1) Para permitir que o nacionalismo pequeno-burguês se disfarçar sob a bandeira do pseudo-comunismo, ao mesmo tempo, para dar um golpe traiçoeiro a vanguarda do proletariado e destruir o significado progressista do nacionalismo pequeno-burguês;

2) Qual o significado do programa de separatismo? – O desmembramento político e econômico da Espanha, ou em outras palavras, a transformação da Península Ibérica em uma espécie de península balcânica, com estados independentes divididos por barreiras alfandegárias, e com os exércitos independentes conduzindo guerras hispânicos independentes. É claro que o sábio Maurín vai dizer que ele não quer isso. Mas os programas têm sua própria lógica, algo que Maurín não tem;

3) Os trabalhadores e camponeses de várias partes da Espanha estão interessados na divisão econômica da Espanha? De modo algum. É por isso que para identificar a luta decisiva pelo direito à autodeterminação com propaganda para o separatismo significa realizar uma tarefa fatal. Nosso programa está por uma a federação hispânica com a manutenção indispensável da unidade econômica. Nós não temos nenhuma intenção de impor esse programa sobre as nacionalidades oprimidas da Espanha com a ajuda dos braços da burguesia. Neste sentido, estamos sinceramente para o direito à autodeterminação. Se Catalunha se separa, a minoria comunista da Catalunha, bem como de Espanha, terá que realizar uma luta pela federação;

4) Nos Balcãs, a velha socialdemocracia anterior a I Guerra já apresentava a consigna da federação balcânica democrático como o caminho para sair do hospício criado pelos Estados separados. Hoje, a consigna comunista nos Balcãs é a da Federação Balcânica Soviética (a propósito, o Comintern adotou o slogan da Federação Balcânica Soviética, mas, ao mesmo tempo, rejeitou este slogan para a Europa!). Como podemos, sob estas condições, adotar o slogan da balcanização da península espanhola? Não é monstruoso?” [13]

Trotsky ‘Aprender a Pensar faz este ponto contra argumento inimigo do meu inimigo:

“Vamos supor que a amanhã é deflagrada uma rebelião na colônia francesa da Argélia sob a bandeira da independência nacional e que o governo italiano, motivado por seus próprios interesses imperialistas, se prepara para enviar armas aos rebeldes. Qual deve ser a atitude dos trabalhadores italianos neste caso? Criei propositadamente um exemplo de rebeldia contra um imperialismo democrático, com a intervenção do lado dos rebeldes de um imperialismo fascista. Neste caso, devem os trabalhadores italianos boicotar o envio de armas para os argelinos? Deixemos que todos os ultraesquerdistas ousem responder a essa pergunta de forma afirmativa. Todo revolucionário, juntamente com os trabalhadores italianos e os rebeldes argelinos, repudiariam com indignação tal resposta. Mesmo se uma greve geral marítima eclodisse na Itália fascista, simultaneamente [à revolta argelina], mesmo neste caso, os grevistas deveriam fazer uma exceção em favor dos navios que transportam ajuda aos escravos coloniais em revolta; caso contrário, eles não seriam mais do que os miseráveis sindicalistas e não revolucionários proletários “[14]

No caso de vitoria do “SIM”, advogamos uma Federação Socialista da Grã-Bretanha e uma Irlanda Socialista Unida.

A HISTÓRIA DA VANGUARDA ESCOCESA

DA CLASSE OPERÁRIA BRITÂNICA

O primeiro grande movimento da classe trabalhadora foi o cartismo, na Inglaterra (1838-1848) e a classe trabalhadora escocesa esteve na linha de frente desse movimento. Na verdade, muitos dos principais líderes como Fergus O’Connor e Bronterre O’Brien eram irlandeses, mas esse movimento teve pouco efeito na Irlanda, embora os trabalhadores irlandeses na Grã-Bretanha participassem como parte da classe operária inglesa:

“A depressão de 1842 provocou uma onda de greves, com os trabalhadores respondendo aos cortes salariais impostos pelos empregadores. A demanda da implementação da Carta logo foi incluída ao lado de demandas pela reposição das perdas salariais. A população trabalhadora entrou em greve em 14 municípios ingleses e oito municípios escoceses, principalmente na região de Midlands, Lancashire, Cheshire, Yorkshire, e na região de Strathclyde da Escócia. Espontaneamente os grevistas decidiram suspender os trabalhos até que os salários fossem reajustados e “até que a Carta do Povo se tornasse a lei do país.”

A Escócia participou na vanguarda das Grandes Revoltas de 1911-1914; uma de suas ações mais importantes foi a greve de 11 mil mulheres trabalhadoras na fábrica da máquina de costura Singer em Clydebank, em 1911. Este movimento assentou as bases para o movimento Red Clydeside e para a ascensão da militância sindicalista no pós-guerra até a década de 1930. Toda a grande Glasgow, ao longo das margens do Clyde de Clydebank, de Greenock, Paisley e outras cidades participaram. Esta é uma parte muito importante da história de toda a classe trabalhadora britânica. Em contraste, o Grande Boicote de Dublin e a Greve Geral de 1913, foram traídos pelos sindicalistas britanicos e por sua ala esquerda, Benn Tillett, em nome da defesa das bases do império, provocando inevitavelmente a futura luta sangrenta pela autodeterminação irlandesa em 1916. [15]

Foram rompidos os laços de confiança entre a classe trabalhadora irlandesa e os representantes das organizações do movimento operário inglês, cujos líderes optaram pela defesa do Império contra a solidariedade da classe trabalhadora. Essa solidariedade pode agora só pode ser reestabelecida através de separação e em razão da plena soberania nacional, o que torna a igualdade a sua primeira premissa. Os problemas sindicais britânicos entre a Escócia e a Inglaterra/País de Gales nunca adquiriram esse caráter, porque não era essa a situação objetiva desses problemas. A burguesia da Escócia não eram uma “classe semi-oprimida e semi-opressora“, como Trotsky descreveu a burguesia colonial e semi-colonial; era e segue sendo uma burguesia imperialista.

A história da classe operária escocesa desde então tem sido a de dirigir toda a classe trabalhadora britânica. Eles lutaram na greve geral de 1926, nas grandes batalhas industriais do início dos anos 70, que derrubou o governo Heath em 1974 e na greve dos grandes mineradores de 1984-5. Os sindicatos especificamente escoceses praticamente desapareceram. Greves nacionais fazem parte da luta de classes britânica e a classe trabalhadora escocesa tem sido a vanguarda da classe operária inglesa.

Jimmy Reid, abaixo à direita da famosa confusão – “Ele não pode ser

Lenin – Lenin está morto”. Educado pelo stalinismo, Reid deu os primeiros

passos traiçoeiros para afastar a classe operária escocesa para longe

de sua irmã ao sul da fronteira. A classe dominante dos EUA

eram muito grata a ele que. Quando Reid aceitou

tomar posse na Reitoria da Universidade Caledonian de Glasgow,

o New York Times publicou na íntegra seu famoso discurso de 1972,

descrevendo-o como “o maior discurso desde do discurso

do presidente Lincoln em Gettysburg “

O nacionalismo escocês expandiu sua influencia sobre a classe trabalhadora escocesa em consequência da disputa do Estaleiro Upper Clyde (1971-2), onde Jimmy Reid se esforçou desertou da solidariedade nacional (e muito menos internacional) dos trabalhadores a favor da defesa da capitalismo na Escócia. Traindo o movimento operário escocês em favor de um partido de direita [15] e realizando um giro falso à esquerda baseado no nacionalismo econômico da aristocracia operária defendido pelo Partido Comunista, movimento expresso por Jimmy Reid com a demanda reacionária “O petróleo é da Escócia” da campanha do SNP. Com isso, ele conquistou 7 assentos, na primeira, e 11, na segunda eleição geral, em 1974, para o SNP. 30,4% foi sua maior votação na disputa pelas cadeiras de Westminster; a segunda maior foi de 19,9% na eleição de 2010.

É emblemático que todas as forças que agora defendem o “SIM” apoiaram esta traição fundamental, Reid, que depois se tornou um duro oponente da greve dos mineiros de 1984-5, em nome da classe capitalista escocesa e britânica. Uma genuína organização trotskistas como o Socialist Fight fez uma analise muito diferente em nosso artigo sobre o resultado da disputa Grangemouth:

“O QUE HAVIA DE ERRADO COM O

TRABALHO DE JIMMY REID NA UCS?

O Socialist Appeal, o Partido Socialista e o SWP apresentar Jimmy Reid como um exemplo de dirigente sindical. Rob Sewell afirma: “O exemplo da UCS, em 1971, onde os trabalhadores organizaram um “trabalho interno”, se tornou uma causa célebre e uma inspiração para todos aqueles trabalhadores que lutam para frear os ataques“. O Partido Socialista e o SWP apontam o “trabalho interno” como o caminho correto. Na verdade, isso não passava de uma defesa política do capitalismo como foi analisado em nossa revista SF n º 5, Jimmy Reid disse: “Ele não pode ser Lenin – Lenin está morto“. [16] Reid aceitou a Reitoria da Universidade de Caledonian em Glasgow no discurso famoso de 1972 Rat Race. O New York Times publicou o discurso na íntegra e descreveu-o como “o maior discurso desde o discurso de Gettysburg do presidente Lincoln”.

Rejeitar os valores e a falsa moralidade que fundamentam estas atitudes. A corrida de ratos é para ratos. Nós não somos ratos. Nós somos seres humanos. Devemos rejeitar as pressões insidiosas na sociedade, que enfraquecem as faculdades críticas a tudo o que está acontecendo ao seu redor, que silenciam prudentemente diante da injustiça para que não sejam ameaçadas suas chances de promoção e autopromoção. É assim que tudo começa e você sabe onde você acabará como alguém totalmente integrado ao conjunto dos ratos. O preço é muito alto. Ela implica na perda de sua dignidade e de espírito humano. Ou, como disse Cristo, “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?

Como Tony Fox comentou sobre isso:

“Sua mensagem para os alunos da Universidade Presbiteriana Caledonian de Glasgow, preocupado com uma radicalização da classe trabalhadora, alertava que a corrida de ratos pode ser superada pela limpeza de nossas almas da ganância e do mal e essa limpeza irá garantir seus privilégios contra a ameaça da revolução socialista. É por isso que a admoestação moral de Reid caiu tão bem como uma luva para o establishment do capitalismo e seus defensores. Ele se fundamentava nas banalidades do sermão da Montanha de Jesus Cristo, entregue (que mais tarde foi usado para destruir de forma messiânica todo o conteúdo igualitário e de oposição do cristainismo) para proteger o Império Romano contra a iminente Grande revolta judaica liderada pelos zelotes revolucionários (66-70 dC). Sua função era afastar as ameaças de revolução articulada naqueles dias principalmente pelos fanáticos trotskistas do SLL de Gerry Healy”.

O artigo termina com a seguinte observação:

“Finalmente vamos sintetizar a questão na observação de um trabalhador estaleiro que confundiu o nome de John Lennon, quando foi anunciado que ele tinha doado um cheque 5.000 para a luta dizendo: “Ele não pode ser Lenin – Lenin está morto“. Esse trabalhador sabia claramente quem era Lenin, ele sabia que seu espírito estaria ao seu lado na luta de classes e ele tinha discutido Lenin com colegas de trabalho, sem dúvida, como resultado das reuniões que assistiu do PCGB (Partido Comunista da Grã Bretanha, CPGB, em inglês).

Lenin estava de fato ‘morto’ para o PCGB mesmo que o PC ainda usasse o nome dele, com uma história de cerca de 40 anos de classe de traições em seu currículo ele está claramente morto “para os líderes sem consciência de classe suficiente para reconhecer que estavam errados apoiando o que Jimmy Reid fez e disse em 1971-2. Mas estamos confiantes, ainda há bastante que compreender da herança revolucionária de Lenin e Trotsky para construir um verdadeiro partido revolucionário leninista-trotskista, aprendendo as lições de hoje “”. [17]

Concluímos o nosso artigo sobre a traição aos trabalhadores de Grangemouth e aos trabalhadores dos correios da Royal Mail por Len McCluskey da Unite e Billy Hayes da Communication Workers Union rechaçando o nacionalismo econômico que também serve como uma conclusão adequada para este artigo :

Len McCluskey do Unite defende “postos de trabalho escoceses

para os trabalhadores escoceses” traindo os trabalhadores de toda a ilha.

“É evidente que muito mais concessões terão de ser feitas em Grangemouth para proteger os postos de trabalho ‘britânicos’ e, uma vez que a capacidade total da ‘nova onda de refinarias gigantes na Ásia e no Oriente Médio entrar em operação em 2017’, a planta provavelmente vai ser fechada de qualquer maneira. O nacionalismo econômico de Bob Crow e a eurofobia é uma ameaça premente ao todos os movimentos da classe trabalhadora e aqueles que são internacionalistas e revolucionários devem conduzir uma luta política forte contra ele. McCluskey em Grangemouth e Billy Hayes no Royal Mail, em conjunto com Ed Miliband, aplicaram um golpe traiçoeiro na única força que pode resolver esta crise; a força organizada da classe trabalhadora internacional liderada por uma IV Internacional reconstruída. Como trotskistas nós não nos deixamos abater diante desta crise global, mas nos voltamos para a classe trabalhadora com energias renovadas em meio a necessidade urgente por construir a direção que vai levar adiante a luta para construir as fileiras do movimento Grass Roots dentro da Unite [principal Sindicato britânico] e em qualquer outro sindicato para derrubar esta burocracia traiçoeira e substituí-la por dirigentes militantes revolucionários que irão enfrentar a tarefa central de derrubada das relações de propriedade capitalistas em uma escala global”. [18]

Notas:

[1] VI Lenin, o Direito das Nações à Autodeterminação, de fevereiro a maio 1914 http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1914/self-det/ch04.htm

[2] Carta de Rob Brown na London Review of Books, maio de 2010: http://www.lrb.co.uk/v32/n09/letters

[3] VI Lenin, observações críticas sobre a questão nacional, 1913, https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1913/crnq/6.htm

[4]http://www.historyworld.net/wrldhis/PlainTextHistories.asp?groupid=2925&HistoryID=ac70&gtrack=pthc#ixzz3C54aMmRA

[5] A história econômica da Escócia – Wikipédia, http://en.wikipedia.org/wiki/Economic_history_of_Scotland

[6] Green Left Weekly, exército britânico aterroriza cidade irlandesa, 01 de julho de 1992, https://www.greenleft.org.au/node/3539

[7] Partido Unionista (Escócia), http://en.wikipedia.org/wiki/Unionist_Party_%28Scotland%29

[8] O ex-líder do Partido Socialista Escocês promove nacionalismo na campanha do referendo, por Steve James e Jordan Shilton, 5 de julho de 2014, http://www.wsws.org/en/articles/2014/07/05/sher-j05.html . Isso não significa que apoiamos a posição WSWS / SEP sobre a autodeterminação, em geral, que nega esse direito, até mesmo para as nações oprimidas, como os tâmeis no Sri Lanka.

[9] Na verdade, eles mudaram de anti-OTAN a pró-OTAN. “No Nukes, No NATO” foi a 30 anos, elemento central da política SNP de seu passado esquerdista CND, mas a derrota da esquerda conduzida por Margo MacDonald impulsionou um giro à direita no SNP no meio de sua trajetória. Salmond e seu vice John Swinney conseguiu impor um novo curso através de uma mudança de linha na conferência de 2012 do partido deixando grande parte da base furiosa com o que (e com razão) viu como uma traição.

[10] Entrevista: Não marchar com os nacionalistas, http://weeklyworker.co.uk/worker/1011/interview-dont-marcha com-nationalists/

[11] John Wight, a independência escocesa divide a sociedade acerca da monarquia, http://www.huffingtonpost.co.uk/john-wight/scottish-independence-obscures-real-divide-_b_5714057.html

[12] Leon Trotsky, “A questão nacional da Catalunha”, (Julho de 1931), http://www.marxists.org/archive/trotsky/1931/07/spain01.htm

[13] Leon Trotsky, aprender a pensar, uma sugestão amigável para Certas ultra-esquerdistas, (maio de 1938), ttp: //www.marxists.org/archive/trotsky/1938/05/think.htm

[14] Socialist Fight, da Irlanda do Norte e do Partido Socialista; “Ben Tillett, os estivadores líder que Larkin tinha considerado um torcedor do companheiro”, empunhou a faca que deu o golpe fatal “. Esta decisão final de não apoiar os trabalhadores Dublin levou à derrota e intimidação com todo o peso do Estado usado contra membros do ITGWU “. Http://socialistfight.com/tag/dublin/

[15] Scottish Labour detém 37 dos 129 lugares no Parlamento escocês, 41 dos 59 lugares escoceses na Câmara dos Comuns e 2 dos 6 bancos escoceses no Parlamento Europeu. O SNP atualmente possui 69 assentos no Parlamento escocês, 6 de 59 lugares escoceses na Câmara dos Comuns e 2 de 6 bancos escoceses no Parlamento Europeu.

[16] Socialist Fight No 5. P. 9 Jimmy Reid: “Não pode ser Lenin – ele está morto”, https://socialistfight.files.wordpress.com/2013/08/socialist-luta-no-5.pdf

[17] Socialist Fight: a direção revolucionária, Grangemouth e o CWU, https://socialistfight.com/tag/rob-sewell/

[18] Ibid.

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